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O que significa Autonomia?

Autonomia é um termo de origem grega cujo significado está relacionado com independência, liberdade ou autossuficiência. Em Ciência Política, a autonomia de um governo ou de uma região pressupõe a elaboração de suas próprias leis e regras sem interferência de um governo central nas tomadas de decisões. Em Filosofia, autonomia é um conceito que determina a liberdade de indivíduo em gerir livremente a sua vida, efetuando racionalmente as suas próprias escolhas.

Em Educação, a autonomia do estudante revela capacidade de organizar sozinho os seus estudos, sem total dependência do professor, administrando eficazmente o seu tempo de dedicação no aprendizado e escolhendo de forma eficiente as fontes de informação disponíveis. Quando se fala em Ensino e-Learning ou EAD (Ensino à distância) pretende-se que o estudante aplique o conceito de autonomia na educação.

Etimologicamente autonomia significa o poder de dar a si a própria lei, autos (por si mesmo) e nomos (lei). Ferrater Mora (1965) define autonomia como uma realidade que é regida por uma lei própria. Mas, a definição que nos parece mais apropriada por designar melhor o sentido de autonomia. é a do Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia: "autonomia é a condição de uma pessoa ou de uma coletividade cultural, que determina ela mesma a lei à qual se submete".(LALANDE, 1999, p. 115).

Como a autonomia é "condição", como ela se dá no mundo e não apenas na consciência dos sujeitos, sua construção envolve dois aspectos: o poder de determinar a própria lei e também o poder ou capacidade de realizar. O primeiro aspecto está ligado à liberdade e ao poder de conceber, fantasiar, imaginar, decidir, e o segundo ao poder ou capacidade de fazer. Para que haja autonomia os dois aspectos devem estar presentes, e o pensar autônomo precisa ser também fazer autônomo. O fazer não acontece fora do mundo, portanto está cerceado pelas leis naturais, pelas leis civis, pelas convenções sociais, pelos outros, etc, ou seja, a autonomia é limitada por condicionamentos, não é absoluta. Dessa forma, autonomia jamais pode ser confundida com auto-suficiência.

O Diário de Classe de Isadora Faber

Um grande exemplo é a ação libertadora da estudante Isadora Faber, que, de maneira autônoma ela encontrou meios para melhorar as condições de sua escola, para si mesma e todos os seus colegas. Isadora criou a página Diário de Classe no Facebook, para relatar os problemas vivenciados na escola municipal Maria Tomázia Coelho, em Florianópolis (SC), onde estuda.


Percebendo os problemas em sua escola, ela procurou meios para sua resolvê-los. A educação ensinada nas escolas é a que devemos ficar calados, aceitar as regras, fazer exercícios para obter de nota, é uma educação tão arcaica que não possibilita uma intervenção no mundo, e sim a aceitação das coisas como estão, de maneira submissa. Porém, a função da educação deveria ser possibilitar um mundo melhor, pessoas mais conscientes e realmente engajadas, como a Isadora.

A maioria dos "professores" e "diretores" de escolas têm muito o que aprender essa ação, isso serve de exemplo para representar a realidade das escolas públicas no Brasil. Espero que essa ação influencie muitos estudantes, pois acredito que pouco adianta esperar que a mudança na educação seja feita pelos professores, pois a maioria deles já estão cansados, muitos estudantes estão mais bem mais antenados que os professores, e a internet acaba sendo uma facilitadora para se publicar informações e mudar a realidade.

Temos muito o que aprender com essa ação. Parabéns Isadora, e que sua atitude sirva de exemplo para que muitos também tenham a coragem, persistência e vontade de se construir um mundo melhor!

Escola da Ponte, Portugal





A Escola da Ponte (Vila das Aves, Distrito do Porto, Portugal) é completamente diferente
das escolas tradicionais, pois adota a abordagem humanista de ensino.
Lá as crianças têm liberdade de estudarem os assuntos de seus interesses
e os professores apenas auxiliam nessa busca por conhecimento.
Não há separação por idade ou séries, todos trabalham juntos.
www.escoladaponte.pt

Autoritarismo X Respeito na Prática Educativa

Indivíduos que não são autores de suas próprias vidas estão sujeitos a condições escolhidas por outras pessoas. A autoridade assumida por um professor dentro de uma sala de aula pode coloca-lo no papel de suposto "autor" do conhecimento de todos, o que deveria ser fruto de uma troca coletiva de conhecimentos. Agindo assim, reduz a autonomia de cada aluno e a possibilidade do indivíduo se reconhecer autor do  processo de aquisição de conhecimento de sua vida e de seu destino.

A prática educativa tradicional é ideológica e hierárquica, utilizando-se de um suposto autoritarismo dos professores sobre os alunos para legitimar o autoritarismo de governantes sobre cidadãos, de patrões sobre empregados, de pais sobre filhos, de ricos sobre pobres, de instruídos sobre desinformados, etc.

O respeito dentro de uma sala de escola, não é algo que se estabelece como imposição ou regra que tenha de ser cumprida por obrigação, mas algo a ser construído na relação entre o educador e os educandos, reconhecendo que todos somos seres humanos, onde afetamos e somos afetados uns pelos outros. É na prática respeitosa que adquirimos respeito, não por meio da obrigação. O respeito não é algo a ser conquistado por meio do "controlar", mas pelo "cativar", numa prática respeitosa.

Penso que uma sala cheia de pessoas caladas não permite o processo educativo e emancipatório dos educandos, pois esse processo acontece no diálogo aberto, na troca, na divergência e no barulho também. E, tal como na vida, não temos a obrigação em respeitar o prefeito, o policial ou o patrão por autoridade, mas porque todos somos seres humanos, assim como qualquer pessoa, reconhecendo o educador e o educando como seres autônomos e livres, que se constroem na relação.

Se o que queremos é uma sociedade mais justa, onde todos possam ter direitos, autonomia para decidir suas escolhas e ser responsáveis por elas, acredito que primeiramente temos de reconhecer as condições onde estamos inseridos, para trabalhar diretamente com a realidade. Numa prática libertária, quanto menor uso de poder, melhor.

Bruno Carrasco, setembro de 2011.



Sobre as citações

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