Mutações em educação segundo McLuhan

O livro Mutações em educação segundo Mc Luhan, é recheado de reflexões muito relevantes sobre a necessidade de mudanças na educação, por consequência das mudanças sociais e culturais, com a chegada de novos meios de comunicação e novas maneiras de se apropriar do conhecimento do mundo.

Escrito por Lauro de Oliveira Lima, publicado em 1979, o autor cita frases do educador e comunicólogo canadense Marshall McLuhan, estabelecendo pontes e reflexões acerca do anacronismo, a estagnação e a dificuldade da atualização das maneiras de se comunicar nas escolas; criticando a figura arcaica do professor-emissor para a possibilidade de novos processos de comunicação e de auto-informação do aluno.

Algumas citações do livro:


A ideia de escola como recinto confinado é incompatível com os meios de comunicação modernos.

A inteligência é a função que só se "ativa" diante de uma situação-problema. Ora, todo processo escolar que não desafia é frenagem ao desenvolvimento desta função. A escola tem representado até aqui um "complot" contra a livre pesquisa intelectual, fornecendo fórmulas já acabadas que robotizam a solução dos problemas. Difícil é encontrar um professor que não julgue ser seu papel "facilitar as coisas para o aluno". (...) O professor não ensina, ajuda o aluno a aprender. Hoje está suficientemente comprovado que o desafio é o processo didático para o desenvolvimento intelectual. Ensinar é apenas desafiar, adequada e gradualmente. A memorização é o correspondente verbal do condicionamento da motricidade: ver Skinner (EUA) e Pavlov (URSS). Ora, o condicionamento é processo arcaico (animal e infantil) de estruturação da experiência (anterior mesmo à qualquer estrutura de caráter simbólico).

As escolas dispensam, mais e mais, energias diversas preparando os escolares para um mundo que já não existe.

A escola atual, pois, pode, perfeitamente, estar sendo um obstáculo intelectual à progressão acelerada da história, por criar comportamentos incompatíveis com a forma de ser dos próximos 20 anos. Já não se pode dizer que a escola é uma "preparação para a vida" (...) A tendência dos professores mais inteligentes e ousados é deixar os próprios alunos conduzirem o processo escolar sem grandes pretensões de "institucionalização". O que os alunos precisam para enfrentar o ano 2000 é da flexibilidade operatória de seus esquemas de assimilação e não de respostas aprendidas. Quanto menos hábitos intelectuais fixos e mais poder de adaptação à situação nova, mais preparado estará o jovem para a vida. Com isto rui toda a pedagogia da "exercitação" e do cultivo das "faculdades mentais" através de repetições e fixação de soluções.

A própria disposição física da classe terá de mudar para incluir os visuais eletrônicos e a dinâmica dos grupos de trabalho e de reflexão. Não é compreensível que mudem todas as atividades humanas diante do impacto da tecnologia e uma "aula" continue, basicamente, o passeio peripatético de Aristóteles.

O diploma supõe a existência de um "corpo de conhecimento" estático. Como se sabe, é cada vez menor o período em que todos os conhecimentos são substituídos. O fenômeno de substituição atinge, inclusive, as profissões, que desaparecem e nascem, diariamente. Se os "ciclos de conhecimento" são cada vez mais rápidos, não se justifica o diploma. A expressão "reciclagem" é típica da mudança permanente de know-how: os profissionais precisam, anualmente, sofrer revisão em seu tirocínio, sob pena de sua tecnologia obsolescer. Acelerando-se o processo, chegamos à "educação permanente", incompatível com o diploma. (...) Ora, sem diplomas não há escolas... pelo menos o tipo de escola com que nos acostumamos nos últimos séculos. Aescola até hoje só se justificou pelas regalias que traz aos portadores de seus diplomas, uma espécie de "carta régia" que concede privilégios a seus portadores.

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Fonte:
LIMA, Lauro de Oliveira. Mutações em Educação Segundo McLuhan.
Petrópolis: Vozes, 1979.

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