Sobre a atividade educativa dialética

A atividade educativa é uma ação humana criadora da existência, onde se promove maneiras de ser e agir, sendo um espaço de construção do que queremos para o mundo. Essa atividade, portanto, não deve ser um peso para os educadores nem para os educandos, mas realizada por quem tem interesse em ensinar e em aprender, por meio do diálogo, onde cada um pode se reconhecer e se assumir como for.

Essa prática acontece no momento do encontro humano, onde se dialogam, todos com o direito e espaço para se expressar, o respeito para escutar e a liberdade para construir em conjunto, sendo o conflito uma das condições para o desenvolvimento. A atividade educativa deve proporcionar uma expansão da visão de mundo por meio de vivências transformadoras, tanto para educandos quanto para educadores, incentivando a criatividade, a imaginação e a experimentação, e agindo como potencializador da existência humana e de seus modos de ser, onde são permitidas e aceitas as diferentes maneiras de subjetivação, fazendo com que os indivíduos compreendam que são responsáveis por suas escolhas.

O processo educativo transforma a relação pessoal e a vida pública, possibilitando diferentes maneiras de se inserir no mundo. Para isso, a metodologia deve ser pautada em novas leituras da realidade, desligando-se da herança ditatorial e da alienação aos meios de comunicação de massa e falsos clichês intelectuais, no caminho para um projeto libertador.

O trabalho dialético é diferenciado da pedagogia tradicional, ele visa muito mais o contato das pessoas e o conflito vivencial do que as normas institucionais limitadoras. Sua atividade é um momento de construção em conjunto e não uma obrigação de aceitar certa realidade imposta. Como escreveu o filósofo pré-Socrático, Heráclito de Éfeso, "nada está pronto, tudo está em permanente construção, desconstrução e reconstrução".

A primeira tarefa da proposta dialética é desaprender as velhas tradições que impedem a emancipação da existência. A educação tradicional representa uma educação de massa, fruto da economia de massa e do mecanicismo, sendo utilizada para formar seres submissos e alienados. Na pedagogia dialética, é essencial o engajamento do estudante, sua conscientização e a afirmação de seu ser no mundo.

A pedagogia dialética rompe com os papéis tradicionais de aluno e de professor: o que vale é a originalidade, para que se possa elevar o sentimento do educando de participante - tanto de seu processo de aprendizagem, quanto de sua história. Para isso é primordial reconhecer que “não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes” (Paulo Freire).

Bruno Carrasco, maio de 2008.

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