YOGA: Uma Pedagogia do Ser, Maran

do livro de Julio Maran

YOGA = UNIÃO (corpo, alma, mente, espírito).

UNIÃO através de:
POSTURAS
RESPIRAÇÃO
RELAXAMENTO
ATITUDE MENTAL.

Proporcionando: saúde, paz, harmonia e integração.


POSTURAS (âsanas)

São símbolos que devem ser utilizados para expressar o estado de alma, de mente e espírito. Fazem partes das posturas: relaxamento, respiração e atitude mental.
As posturas são usadas de várias formas:

  • Como exercícios físicos adequados a manter a saúde humana;
  • Para a meditação (virâsana);
  • Para o revigoramento do organismo (shirshâna);
  • Como meio de se chegar a uma integração corpo-mente, à paz e harmonia (yoga-mudra);
  • Utilizadas para os exercícios de pranayama (sukh purvak);
  • Utilizadas para o relaxamento (variação de savasana);
  • Para a concentração dinâmica (padmâsana – postura do lótus);
  • Desenvolver o equilíbrio físico e mental (vrikâsana – postura da arvore);
  • Para oração (prarthâsana – postura da oração).

       Há inúmeras posturas, cada qual com objetivos próprios, com benefícios específicos. Cada qual com uma técnica de execução, controle de respiração e mentalização diferente.
       Na execução das posturas é necessário que a mente participe, compartilhe, passe pelos movimentos. O movimento e a postura devem ser uma expressão física e mental. Deve-se colocar vida, energia, dinamismo nos movimentos, e eles devem ser lentos, suaves e conscientes.
       A prática da Yoga depende muito do momento, do dia, de nosso estado de espírito. Devemos aceitar quando não conseguimos fazer uma boa prática. A auto-aceitação é o melhor caminho para a auto-realização, para o progresso.

Os objetivos das posturas são:

  • Relaxar músculos, nervos (desatrofiá-los, rejuvenescê-los);
  • Normalizar as funções do sistema físico, nervoso;
  • Estimular as glândulas;
  • Vitalizar o corpo;
  • Despertar o espírito (energias latentes);
  • Tranqüilizar a mente;
  • Apaziguar a alma;
  • Exercitar a atenção.

     Os benefícios das posturas: saúde física e mental, equilíbrio, paz, harmonia, integração.
     A melhor hora par a prática das posturas é pela manhã, em jejum, se possível na mesma hora e no mesmo local. Num local com uma ventilação nem demais nem pouco, o suficiente. Evitar alimentos líquidos uma hora antes e sólidos duas horas e procurar manter uma prática quotidiana.

RESPIRAÇÃO (pranayama)

     A respiração está intimamente ligada com as reações físicas e mentais, é um ato fisiológico, biológico e psicológico, é uma síntese de nosso estado mental e emocional. Uma mente intranqüila e agitada produz uma respiração superficial, a-natural; o estado de tensão produz uma respiração rápida, ofegante, a-rítmica. Na respiração profunda e total, o ar tem livre entrada e livre saída, os movimentos de inalação e exalação funcionam sem nenhum obstáculo.
     A respiração deve ser natural, rítmica, lenta e profunda; os movimentos de inalação e exalação devem ocorrer livremente, assim ocasionando harmonia, paz e integração.
     Um elemento fundamental na prática respiratória ióguica é o pranayama:
     Prana = alento, energia vital.    |    Yama = retenção, pausa, controle.
     Pranayama = retenção do alento.
     Uma regra importante na respiração é: respirar pelas fossas nasais, não pela boca. Os filtros de ar são as fossas nasais. As causas de uma má respiração são: debilidade física; enfermidades; transtornos nos órgãos respiratórios; diminuição da atividade cerebral.


RELAXAMENTO

     Há pessoas que dizem: “trabalhei muito, estou exausta!”. Não é o trabalho que cansa, e sim a maneira pela qual o fazemos. Quando não planejamos as atividades, quando fazemos as coisas às pressas, há um desgaste físico e mental – fora do normal. Às vezes, trabalhamos sob a tensão de nervos e músculos, então o desgaste é fatal.
     O relaxamento é um dos melhores meios de promover saúde, o bem-estar físico e psíquico. Ele é um exercício dos mais difíceis, sendo também, um dos mais importantes. Diminui sensivelmente a nossa carga nervosa e repousa suficientemente nossos músculos.
      “O mundo moderno faz exigências cada vez maiores às pessoas que acabam se neurotizando por causa da tensão constante” (Maria Aleuda Alencar Moreno – psicóloga)
      “O relaxamento controlado induz o nosso organismo a um descanso altamente reparador e nos faz possuídos e inundados por uma sensação de pureza e grandiosa paz interior” (Antenor Batista)
O indivíduo que procura relaxar-se faz “investimento” em termos de vitalidade, resistência, rejuvenescimento no corpo-mente. O relaxamento na Yoga deve ser consciente e total, sua finalidade é ajudar o indivíduo a se libertar das contrações e tensões: harmonizar o ser. O indivíduo que consegue relaxar-se é portador de vitalidade, disposição e constante bom humor.
      “Se você quer envelhecer antes do tempo, não relaxe”. (Desmond Dunne)


ATITUDE MENTAL

       A mente é uma força poderosíssima. É uma arma de dois gumes: pode nos conduzir para a felicidade ou para a desgraça. ”A mente é tudo, o que pensamos nos tornamos” (Buda).
     “Nossa mente é a única fonte de prazeres e dores, fracassos e sucessos, bem-estar e doenças” (Indra Devi). A mente está propensa a pintar as coisas piores do que são, vê-las negativamente.
Através da Yoga é possível uma reeducação da atividade mental através dos movimentos e das posturas.
     “Oitenta por cento da Humanidade tem medo. Medo da doença, da pobreza, da desgraça... medo da morte e, finalmente, medo do próprio medo” (Yesudian).
A principal de todas as libertações que o homem deve fazer é a do medo, porque o medo é sinônimo de inconsciência, de imaturidade, de insegurança.
     “O medo paralisa a vida, embota a consciência, imobiliza os passos. O medo fabrica monstros, deflagra as guerras, devasta os horizontes da liberdade e da paz” (Francisco de Araújo).


OBJETIVOS DA YOGA

“Conduzir o homem a uma autodisciplina física, mental e espiritual”.
  • Purificar o corpo de impurezas, toxinas, contrações, atrofiamentos;
  • Atingir um bem-estar físico e aprofundar a saúde psico-mental;
  • Tornar o corpo um instrumento dócil do “eu” espiritual;
  • Ajudar o indivíduo a viver em paz consigo mesmo, com os outros e com o mundo;
  • Levar o indivíduo a ver as coisas como são, real e intensamente;
  • Levar o indivíduo a “unir-se para ser mais” e conduzi-lo a uma unificação do seu ser;
  • Libertar e desenvolver os valores em todo ser humano.


BENEFÍCIOS DA YOGA

“O Yoga capacita o indivíduo a descobrir o que realmente lhe convém”
Objetivos da Hatha-Yoga:
-levar o indivíduo a uma disciplina física;
-levar o indivíduo a um bem-estar físico e mental.


SISTEMAS DE YOGA

      Os principais sistemas são: Hatha-Yoga, Karma-Yoga, Bhakti-Yoga, Raja-Yoga, Gnana-Yoga, Mantra-Yoga, Tantra-Yoga.
      Cada ramo dos vários sistemas possui textos clássicos e gurus importantes e utiliza-se técnicas e meios próprios para cada um deles. O que varia são os meios, pois os objetivos nos vários sistemas são os mesmos.
      O sistema de Yoga mais divulgado e praticado (no ocidente) é o Hatha-Yoga.
      Etimologicamente, Hatha-Yoga significa a Yoga do sol e da lua:
      Há = sol    |    Tha = lua.


PRÁTICA DO YOGA

      A Yoga é indicada para todas as pessoas, independente de: idade, sexo, atividade profissional ou credo religioso.

      Princípios para a prática de Yoga:
      -aceitar-se praticando Yoga;
      -ter uma atitude receptiva;
      -abertura à nova experiência;
      -permitir-se emergir na nova experiência;
      -dedicar-se à prática desprendidamente.

      Princípios da Yoga:
      -não violência;
      -conseguir em si mesmo a harmonia, o equilíbrio, a calma e a serenidade;
      -viver com simplicidade, em conformidade com a natureza e suas leis;
      -moderação em todas as coisas;
      -domínio de si mesmo (disciplina e conhecimento);
      -contato com a natureza (descanso, repouso, lazer);
      -contentamento;
      -veracidade (“sim”, “não”);
      -cultivar os pensamentos e emoções positivas;
      -alimentação sadia e equilibrada;
      -respiração total e profunda;
      -sono tranqüilo e natural;
      -amor e respeito ao próximo.


A FIGURA DO IOGUE

      O silêncio no iogue é um sinal de domínio do corpo, libertação de sua complexibilidade humana no mundo dos homens.
      Aparentemente, o iogue é passivo, mas na realidade é uma pessoa ativa. Sua atividade consiste em integrar-se, unificar-se, “unir-se mais para ser mais”.
      A conquista do silêncio e do domínio muscular é fruto de “aprendizagem paciente seguida de prolongada e perseverante prática”.


POSTURAS E FORMAS PARA A PRATICAR HATHA-YOGA


RELAXAMENTO – SAVASANA: (posição do cadáver)

Deite-se comodamente num tapete ou esteira, separe as pernas e os braços do corpo.
Em seguida comece a soltar os músculos do rosto, deixe-os soltos, relaxados, sinta seu rosto totalmente descontraído e flácido, sinta-o sem nenhuma contração.
Solte o couro cabeludo, posterior da cabeça, bulbo raquídeo.
Volte a atenção para a região abdominal; procure deixa-la solta, flácida, totalmente descontraída.
Volte a atenção para o braço esquerdo, solte-o; sinta-o completamente descontraído, pesado sobre a esteira. Agora volte a atenção para o braço direito, relaxe-o.
Em seguida volte a atenção para a perna direita: relaxe-a. Sinta-a abandonada sobre a esteira. Faça o mesmo com a perna esquerda.
No relaxamento, procure fazer uma respiração completa. Inspire e expire lentamente. Acentue a expiração.


YOGA – UMA EMERGÊNCIA DO SER

O importante é que, através de um ou outro caminho, o indivíduo possa caminhar para a sua auto-realização, dinamizar seus talentos e suas potencialidades. Quando nos colocamos num caminho é preciso interrogarmos, é preciso perguntarmos pelos motivos: a razão que nos leva a tal caminho; é necessário que os motivos que nos levam a um determinado caminho sejam bem sólidos, que surjam de nosso “estofo”.
Quando o indivíduo busca a Yoga, de modo geral, ele busca paz, harmonia. Contudo, por mais paradoxal que pareça, a Yoga traz problemas. “Quanto mais ‘espiritual’ quer ser o homem, tanto mais amarga lhe torna a vida, porque sente melhor e vê mais claro as deficiências da natureza humana”.
Os indivíduos acomodados, instalados, fechados em suas falsas seguranças – não entenderão a Yoga. Da mesma forma, os indivíduos não preocupados com problemas existenciais, com novas formas de vida, de ser.
“Yoga é um desafio!” Implica numa disciplina física, mental e espiritual. Yoga é vida conforme à Natureza e suas leis. É equilíbrio; emprego consciente de energias. É desapego, desprendimento e não violência. É ascese e disciplina.
Há pessoas que se encontram através da Yoga. O encontro através da Yoga é um processo.. Este auto-encontro é um trabalho de auto-educação; uma pedagogia que leva o indivíduo a atingir as camadas mais profundas do seu verdadeiro “eu”. A auto-educação de que falamos implica em auto-conhecimento (conhece-te a ti mesmo socrático), auto-aceitação e auto-desabrochamento.

“O importante é que cada indivíduo tenha a oportunidade de evoluir, partindo das raízes do seu próprio ser”  (Haridas Chaudhuri).


YOGA – UMA FILOSOFIA DA NATUREZA

A Yoga está relacionada com a natureza do corpo, da alma, da mente e do espírito. O ponto de partida e o elemento fundamental da Yoga é a NATUREZA.
Contudo, o homem não é só natureza. Ele a transcede, pois é dotado de inteligência, de consciência, de reflexão. “O homem é uma síntese superior de toda a natureza e ao mesmo tempo está ligado a ela” (Ivo Storniolo)
A tarefa mais importante da Yoga no mundo de hoje é ajudar o homem a levar uma vida mais natural e respeitar suas leis, desenvolvendo o que está contido na Natureza do indivíduo.


YOGA – UMA FILOSOFIA DO SER E PARA O SER

O conceito do ser: “ser é antes de tudo, fazer-se e encontrar-se” (T. de Chardin). A dinâmica do ser é crescer, expandir-se, evoluir, descobrir.
É preciso ter a capacidade de silêncio e estar a sós consigo mesmo (o neurótico não a tem).
“Ser é unir-se. Ser mais é unir-se mais” (Teilhard de Chardin).
A Yoga é um método que visa levar o indivíduo a uma unificação, que visa capacita-lo a unir-se, a centrar-se sobre si. E desta forma torna-lo mais humano, mais livre, mais pessoa!


YOGA – UM CAMINHO PARA O SILÊNCIO

A educação para o silêncio na Yoga se realiza nos vários planos:
-Físico: as posturas ajudam o apaziguamento das excitações nervosas, músculos e nervos;
-Psíquico: ajudam a pacificar as emoções e descompassos psíquicos;
-Mental: ajudam a silenciar as imagens e pensamentos;
-Espiritual: ajudam a exercitar a atenção, descansar o espírito e integrá-lo.

O barulho e a agitação são os grandes responsáveis pelas perturbações nervosas e descompassos psíquicos. Um dos meios para restabelecer as energias e o equilíbrio é a prática do silêncio na Yoga. Só por si, o silêncio já é um elemento de terapia.
“O silêncio acalma, repousa, cura e consola. O silêncio torna-nos melhores”.(L. de Lenval)
Mas o silêncio não é fácil! O homem moderno não consegue parar, estar consigo mesmo. Ele não é capaz de recolher-se, silenciar-se. Parece até que o silêncio e a solidão lhe fazem mal e o perturbam. Diz Francisco de Araújo:
“Temos medo do silêncio. Temos medo de nós próprios, de nossa própria verdade. Temos medo de nossa face ou medo de encontrar algum monstro em nós, escondido. Não nos concentramos. Vivemos no tumulto, fora e dentro de nós. Quando chegamos do tumulto da cidade, poderíamos encontrar em casa algum silêncio.. aí ligamos o aparelho de televisão”.
A conquista do silêncio ajuda a estabelecer em nós uma síntese, uma equação interior.
Quando falamos de silêncio, entendemos o silêncio criador, aquele que possibilita ao indivíduo “estar disponível à vida mais profunda que palpita dentro de si”.


YOGA – UM CAMINHO PARA A NORMALIZAÇÃO

Normalização é um esforço de atualização das potencialidades e riquezas interiores. É uma educação no sentido de um auto-crescimento, auto-desabrochamento e auto-expressão.
A normalização tem por objetivo levar o indivíduo a:
-domínio de si mesmo;
-aquisição de capacidade de consciência do “eu” físico, psíquico, mental e espiritual;
-equação do “eu” ideal e do “eu” existencial.
A normalização através da Yoga implica numa conquista do corpo pelo espírito.
O trabalho (esforço) de identificar eu e espírito é contínuo, permanente; de todos os momentos, de todos os dias. Não só o mundo existe, mas “eu” também existo.
Se antes (para si) existia o mundo, isto é, “uma circunstância dotada de uma interpretação”, existe agora a sua interioridade. Contudo, tomará consciência das limitações. Há certos limites que interferem, prejudicando a sua realização.
A limitação é encontrada em vários planos:
-no plano da liberdade de ação;
-no plano psicológico (neuroses, psicoses, etc.);
-no plano social (convenções sociais, tabus culturais e religiosos).
A normalização, através da Yoga, visa levar o indivíduo a uma conquista da UNIDADE que ele realmente é, a equação interior e a composição de si.
É um processo de libertação e integração. “O propósito da Yoga consiste em libertar e desenvolver os valores em todo ser humano, a fim de estimular os imensos tesouros mentais e espirituais adormecidos em cada indivíduo” (Yesudian).


YOGA – UMA PSICOTERAPIA PSICO-SOMÁTICA

O vocábulo psico-somático é usado na Medicina para designar determinadas enfermidades do corpo produzidas por distúrbios-mentais.
Cerca de 75% dos enfermos que freqüentam consultórios médicos sofrem de enfermidades psico-somáticas. Em cada dez doentes, oito sofrem de males que tiveram origem na mente, provida de medo, preocupação, ódio, inveja e outras emoções hostis. (Dr. A. Harner, I. Devi)
É muito prejudicial a saúde uma mente perturbada, intranqüila, povoada de pensamentos negativos. O indivíduo que procurasse educar sua mente, no sentido de preenchê-la de pensamentos sadios e otimistas, não teria necessidade de ir em busca de paliativos como drogas, psicotrópicos, etc.
Temos ao nosso alcance inúmeras maneiras de promover a saúde do corpo e da mente:
-vida conforme à Natureza (seu ritmo, suas leis);
-estudo, trabalho, lazeres, esportes;
-leituras, amizades, viagens;
-relacionamento humano equilibrado (atitudes de equilíbrio, autenticidade, respeito ao outro);
-auto-conhecimento, auto-aceitação e auto-desabrochamento;
-cultivar pensamentos e sentimentos positivos.


YOGA – UMA PEDAGOGIA DE LIBERTAÇÃO

Libertação é um processo, se faz através de várias rupturas.
A libertação se faz num contexto, numa cultura. Diante de situações sociais, econômicas e políticas; diante de valores de outras liberdades, de circunstâncias concretas.
“Ser livre é, em primeiro lugar, assumir conscientemente a própria realidade pessoal na situação concreta, para dela partir. Não basta, porém, aceitar a realidade para ser livre; é preciso libertar-se do que impede a realização de valores” (José Maria Frutuoso Braga).
O objetivo da Yoga é unir, juntar, compor, restabelecer e aprofundar a UNIDADE do ser.
“Só é humano o ato livre, no qual se transfigura a pessoa na sua totalidade”.
A Yoga visa liberar no indivíduo tudo aquilo que é suscetível de crescer e de desenvolver. Ela visa liberar no indivíduo os valores subdesenvolvidos ou alienados; as energias presas ou sufocadas. Visa ajudar o indivíduo a viver em conformidade com a Natureza (seu ritmo, suas leis).
A libertação através da Yoga é ampla. Implica na liberação de preconceitos, rótulos, tabus e dogmas.
“De que serve ter milhares de pessoas que não compreendem, completamente imbuídos de preconceitos, que não desejam o novo, mas preferem traduzi-los ao gosto de seus egos estéreis, estáticos” (Krishnamurti, por volta de 1929).


YOGA – UMA PEDAGOGIA DE INTEGRAÇÃO

O homem é um ser indivisível. É um todo estrutural e orgânico. Contudo, as influências sócio-culturais e o ambiente são elementos que bombardeiam a sua unicidade, levando-o, às vezes, a uma desintegração, a divisões interiores. “... o gênero, amplitude e intensidade de tais conflitos são, em grande parte, determinados pela civilização em que vivemos” (Karen Horney).
A integração na Yoga é feita através de uma disciplina que comporta vários estágios:
-âsanas – posturas;
-pranayama – controle da respiração;
-pratyahara – eliminação dos estímulos exteriores (abstração sensorial);
-dharana – concentração (fixação da mente num ponto único);
-dhyana – meditação (estágio superior ao dharana);
-samadhi – fase de unificação, de integração.
A conquista da disciplina física e mental na Yoga implica em ascese e disciplina; esforço voluntário.
O iogue para chegar à posse do silêncio criador (da paz, da harmonia), ele se isola. O isolamento é fruto de liberdade interior. “É expressivo que em todas as filosofias orientais, o isolamento seja procurado como base para um elevado desenvolvimento espiritual. É claro que não podemos comparar tais aspirações com as do indiferentismo neurótico. Lá o isolamento é voluntariamente escolhido como o melhor caminho para a auto-realização”.
“Não somos nem só corpo nem só espírito, porque o espírito e o corpo constituem aspectos complementares.. Não há atividade mental nenhuma que se produza sem uma correspondente atividade orgânica” (Alexis Carrel).
A atividade da mente é multidirecional. Ela pode se ocupar de várias coisas e objetos ao mesmo tempo. A Yoga como uma pedagogia de integração, visa torna-la unidirecional.
O iogue, procurando realizar a integração psíquica e existencial, promove a saúde do corpo-mente, pois estabelece uma harmonia entre os vários níveis do seu ser.
A vida longa e feliz depende do equilíbrio harmonioso entre a atividade do corpo e da mente. “A harmonia das funções mentais condiciona a das funções orgânicas e, reciprocamente, a harmonia das funções orgânicas é indispensável à serenidade mental” (Alexis Carrel).
A revista “Vida e Saúde” aponta as causas da morte precoce:
-comer em excesso;
-fazer o menos exercício possível;
-fumar muito;
-tomar bebidas alcoólicas;
-exigir o máximo de si mesmo;
-viver em todo tempo sob grande tensão nervosa;
-beber muito café;
-nunca submeter-se a exames médicos.
(Artigo: “Como morrer o mais jovem possível”, Dr. Ricardo Walden, junho/73).
Para se chegar à unificação do ser através da Yoga, não existem fórmulas mágicas e receitas. Cada qual deve chegar a seu modo, pois cada um é um. Cada um tem vivências, experiências e condições particulares.


YOGA – UMA HARMONIA DO SER

A conquista da harmonia na Yoga, se faz através de uma ascese. O fim da ascese é a harmonização do ser. O caminho para esta harmonização engloba vários elementos:
-amor e respeito à Natureza (suas leis, ritmo);
-disciplina física (através de posturas);
-disciplina mental e espiritual (através da respiração, concentração dinâmica);
-silêncio criador;
-concentração (“ser para dentro”);
-descentração (“ser para fora”).
A harmonia do ser na Yoga se faz através de integração de vários níveis: corpo, alma, mente e espírito. Harmonia que se faz através de UNIÃO. União a si mesmo nos leva a paz.
“A civilização ocidental necessita enormemente dos indubitáveis benefícios psicológicos da prática yóguica. Um destes, a paz interna, talvez seja seu maior desejo” (Desmond Dunne).
O indivíduo em paz está apto a viver a vida plenamente: está num processo de contínua transformação. É o indivíduo em acordo consigo mesmo, com os outros e com o mundo; capaz de mergulhar-se no mais profundo de sua essência.
Para a conquista da harmonia na Yoga, a ascese tem um papel fundamental. Quando falamos de ascese, precisamos nos “despir” de preconceitos. A ascese deve respeitar a natureza e as condições de cada um. Deve ser algo que parta das raízes do próprio ser.
Os grandes iogues conseguiram a harmonia do seu ser através de uma paciente e dura ascese, através de um esforço consciente e voluntário. A harmonia do ser na Yoga é um processo contínuo; é uma normalização permanente do corpo-mente; das potencialidades latentes. Esta harmonia significa: união consigo mesmo, capacidade do silêncio criador, coragem de ser, capacidade de revelação de si aos outros e ao mundo.

“A união é sua, o ato de unir é seu, pôr as coisas em seu devido lugar, valorizar-se como ser vivente.”


YOGA E MEDITAÇÃO

A Yoga hindu se resume numa palavra: meditação. Que para o hindu significa “a fixação do espírito num objeto e também a aplicação silenciosa de certas faculdades sobre um fato, cuja verdade profunda deve ser discernida e penetrada mediante estreita união com ele” (Déchanet).
A prática da meditação hindu está relacionada com as teorias de Cosmologia, Antropologia e com o pensamento filosófico oriental. Os meios que levam o iogue hindu à meditação:
Yama - trata-se de abstinências, a respeito delas: “não-violência (abstem-se de tudo que por pensamentos, palavra ou obra possa causar sofrimento a qualquer ser vivo); veracidade (abomina a mentira e duplicidade); castidade (ausência total de qualquer emoção erótica); pobreza e respeito ao bem alheio”;
Niyama – são “virtudes” que se deve observar (pureza interior e exterior; contentamento; austeridade; conhecimento de si);
Âsanas (posturas) – “o despertar do espírito consegue-se, no princípio, pelas posturas. Elas, de fato, não somente relaxam e apaziguam os nervos, ativando a circulação sanguínea e estimulando a diversificada atividade glandular;
Pranayama – controle do alento;
Pratyara – controle dos nervos;
Dharana – controle da mente;
Samadhi – é o estado de êxtase, “o samadhi não se trata de êxtase (saída de si), mas de um ênstase – última reconcentração e total recesso em si”.
Na prática da meditação ou concentração dinâmica, é importante observar se a coluna está bem ereta. Afirmam os iogues que a espinha é o veículo da vida.
Todo arqueamento da coluna é profundamente prejudicial à saúde e uma das causas do envelhecimento prematuro.
Segundo Maharishi Mahesh (ex-guru dos Beatles), a ciência da inteligência criativa através da meditação transcendental tem sete objetivos fundamentais:
-desenvolver o potencial criativo total do indivíduo;
-melhorar as realizações governamentais;
-realizar os mais altos ideais da educação;
-resolver os problemas do crime, toxicomania e todo comportamento que possa trazer infelicidade ao homem e à família;
-elevar ao máximo, o uso inteligente do meio ambiente;
-realizar as aspirações econômicas dos indivíduos e da sociedade;
-alcançar os objetivos espirituais da humanidade nesta geração.


YOGA E RELIGIÃO

“As religiões são sínteses que aprofundam, ao nível do sagrado e transcendente, a fenomenologia e a metafísica da história. Sua dinâmica é a busca pelo homem da explicação sagrada e transcendente dos próprios fenômenos históricos – em que o homem se engaja”.
A Yoga implica uma espiritualidade mas não quer dizer que está ligada a uma religião.
É importante, quando falamos de Yoga, saber diferenciar a Yoga do Ocidente e do Oriente. Ter presente que o contexto e as condições se diferem. A Yoga, como é praticada no Oriente, está envolvida num contexto peculiar. Ela tem atrás de si, 6.000 anos; uma História, uma Tradição, etc. Quando falamos de Yoga no Ocidente (mais particularmente no Brasil), temos ter presente nossa cultura, clima, alimentação, componente psico-sociais, etc.
“Os objetivos da Yoga hindu são de ordem espiritual. Esquece-los equivale a uma traição. Traição, sim, reter desta antiga disciplina, meramente, o aspecto físico, ou encará-la exclusivamente como fator de saúde ou beleza corporal” (Déchanet).
As práticas ióguicas para o hindu são instrumentos de realização do seu verdadeiro “eu”.
É interessante notar que as posturas ióguicas têm uma explicação sagrada. Elas nasceram, segundo interpretação hinduísta, da revelação de Brama.
A dificuldade de conciliação entre os elementos teológicos hindus e cristãos é intríseca; eles estão relacionados com a Filosofia, Antropologia, História, etc. O pensamento hindu é simultaneamente multiforme e multidimensional. Seu pensamento filosófico apresenta uma bipolaridade. Para os hindus a “Verdade é una e universal e, ao mesmo tempo, dotada de forma e modos de expressão infinitos”... (Haridas Chaudhuri)
O homem hindu procura Deus que está dentro dele. Em si mesmo, ele procura a Deus.
“O homem espiritual hindu, que deseja viver segundo o espírito, não tem porque procurar acima ou fora de si uma Realidade prima, um tema de contemplação e muito menos um modelo a imitar. Ele mesmo é esta Realidade. Basta-se a si mesmo. Ver Deus, contemplar a Divindade, nada significa para o iogue. Só procura a si mesmo, a seu verdadeiro “Eu”.. (Déchanet)
Deus para o hindu é o Inexprimível, o Inefável, o Absoluto, a Inteligência, o Infinito.
Para o hindu, Brama, O Inefável, só é possível ser atingido através do espírito. Por isso, ele procura se purificar de todos os “eus” aparentes e ilusórios. Para se libertar o instrumento é a meditação. Após libertar-se de tudo aquilo que o impede de possuir seu único e verdadeiro “eu”, ele se identifica com o Absoluto.


YOGA E LAZERES

A biossociologia tem realizado pesquisas a respeito das verdadeiras necessidades humanas. Entre elas está a necessidade do lazer.
Os lazeres são meios de manter equilíbrio entre dois elementos que formam a síntese do homem: os elementos hereditários (bio-psíquicos) e os elementos que são fruto das influências sócio-culturais, do ambiente, da educação, etc.
O Indivíduo, para se realizar, precisa aceitar positivamente os dois elementos, integrando-os harmonicamente em sua personalidade. A não aceitação vai implicar numa série de conseqüências, às vezes desastrosas. A aceitação humilde e corajosa é uma fonte de vida criadora e harmoniosa. “A aceitação do real é o primeiro passo de toda vida criadora. Quem a recusa, delira, e sua ação desencarrilha”.
Os lazeres fazem parte da condição intrínseca do homem. Ele é um ser dotado de corpo, alma, mente e espírito. Um corpo vivo que necessita de repouso, distensão e solidão. É necessário que o homem tenha momentos de pausa, de encontro consigo mesmo, de clama.
Lazer: “uma modalidade de trabalho distenso e livremente escolhido”, um meio de ajudar o homem a realizar-se como pessoa humana, a ter uma vida criadora e harmoniosa.
O lazer é uma atividade. “O verdadeiro repouso, o verdadeiro divertimento, é já uma atividade cultural que nos ensina a viver como homem” (Paul Chauchard).
Uma das melhores horas para a prática da Yoga são os momentos de lazer. Nos momentos de solidão e de pausa, a prática da Yoga se torna altamente benéfica.


YOGA E ALIMENTAÇÃO

A alimentação tem um papel importante no desenvolvimento do corpo e para a sua saúde.
O problema da alimentação apresenta várias facetas. Uns adoecem porque se alimentam mal, outros porque se alimentam sem nenhum critério: “vivem para comer e não comem para viver”.
O importante na alimentação é a seleção dos alimentos. Relação dos alimentos que não se devem comer (segundo Hermógenes): carne; alguns enlatados; o açúcar; frituras, condimentos excitantes, chocolate, produtos de salsicharia, sorvetes, farinhas brancas, vinagre, colorantes artificiais.
Segundo orientação de Satyananda, na alimentação devemos observar o seguinte:
-o alimento deve ser de fácil digestão, fornecer e não consumir energia e deixar o corpo e a mente tranqüilos. Não deve deixar resíduos excessivos e nem fornecer produtos de transformação tóxicos;
-evitar: alimentos cujo valor nutritivo foi destruído por processamento ou armazenamento excessivo. Estes alimentos não estão deteriorados, mas simplesmente perderam o valor nutritivo;
-evitar: alimentos excessivamente condimentados, dieta com teor exagerado de carne e toda espécie de estimulantes de nenhum valor alimentício.

Uma alimentação sadia, bem selecionada, é uma das melhores formas de promover a saúde, de prolongar a vida e de torna-la mais feliz e ditosa.
A quantidade de comida há de harmonizar-se com as exigências do organismo. As refeições deveriam ser feitas lentamente, com a atenção concentrada nos pratos que comem.
Um aspecto importante na alimentação diz respeito à mastigação. Os dentes têm a função de triturar os alimentos e facilitar o trabalho do estômago. Os efeitos da não mastigação são: distúrbios gástricos, hiperacidez do estômago, úlceras, cáries, etc.
Um clima de harmonia e de paz torna a refeição mais benéfica e salutar.


YOGA E EXPRESSÃO CORPORAL

Podemos conceituar Expressão Corporal como uma arte, uma atividade de expressão dos sentimentos e emoções. “Ela utiliza o corpo como forma de expressão, dando oportunidade à pessoa de manifestar seus pensamentos, sentimentos e emoções”.
“Acredita-se que a linguagem corporal seja tão eloqüente quanto a escrita ou falada, talvez até mais” (Aida Sion). A linguagem corporal é uma arte e terapia.
A prática da Hatha-Yoga poderia tornar-se mais dinâmica através da Expressão Corporal. A Expressão Corporal pode colocar o corpo “a serviço de idéias”, para que seja tão vivo quanto a própria linguagem.


YOGA E CRIATIVIDADE

Ghiselin define criatividade como “o processo de mudança, de desenvolvimento, de evolução, na organização da vida subjetiva”.
Yoga e Criatividade implicam num processo mental e emocional.
Na Yoga e na Criatividade trabalhamos mais com o pensamento intuitivo. Com o pensamento analítico, muito pouco. “A criatividade é forma saudável e altamente desenvolvidad de intuição. O criador, no ato da criação, intui direta e imediatamente o que outras pessoas só podem apurar, divagando longamente”.
Yoga não se ensina, o que se ensina são as técnicas, cada um é que deve “criar” sua própria Yoga.
Criatividade também não se ensina.
A criatividade na Yoga é possível a partir do momento em que os alunos estiverem bem familiarizados com as posturas, com a parte técnica. Sobretudo, no momento em que eles mesmos estiverem despertos e conscientes de sua necessidade e de seu valor.


YOGA E EDUCAÇÃO FÍSICA

A Ginástica é de origem grega. A Yoga é de origem hindu. A Ginástica é educação parcial sobre nervos e músculos. A Yoga, uma educação integral. Atinge o indivíduo na sua totalidade e na interdependência corpo-mente.
O objetivo da Educação Física é a saúde física. O objetivo da Yoga é a união do corpo-mente, através da ação do corpo. A Yoga usa o corpo como instrumento para chegar a uma unificação do ser, a uma integração psico-somática. A Yoga usa o corpo como meio, mas não pára nele. Como o homem é uma unidade substancial e orgânica, a mente se beneficia pela ação do corpo. “Como o espírito é inseparável do corpo, segue-se que qualquer modificação química ou física dos órgãos, tem repercussão mental” (Aléxis Carrel).


YOGA E EDUCAÇÃO

Educação é o processo através do qual damos ao educando condições de crescimento, de experiências, de autodeterminação em relação a si, aos outros e ao mundo.
O elemento básico no processo educacional é a criatividade. A Yoga, estabelecendo e aprofundando a saúde do corpo-mente, libertando o indivíduo de excitações nervosas, inquietações e descompassos psíquicos, ajuda-o a ser mais criativo. “Só se aprende quando o espírito está sereno e o coração desperto”.
Educamos quando:
-ajudamos o educando a crescer, a ser feliz, a se realizar, a ser mais, a ser gente, humano;
-ajudamos o educando a dar respostas adequadas às situações, às experiências, e às percepções do mundo exterior (fenomenológico);
-ajudamos o educando a estar desperto e consciente do real e a responder aos apelos do real;
-ajudamos a libertar, no educando, tudo o que é suscetível de crescer e desenvolver: os valores subdesenvolvidos ou alienados; as energias presas, as aspirações sufocadas, os desejos esmagados, a criatividade paralisada;
-respeitamos a história, as aspirações, os projetos, os caminhos, o destino de cada um, quando respeitamos e atendemos às diferenças individuais, à originalidade de cada um, o que cada um tem de específico, de próprio, de temperamental.

Na Yoga “trabalhamos” com o pensamento intuitivo. Intuição é apreensão imediata. Sabemos que a intuição é fundamental para a vida artística. “A intuição parece ser a percepção extra-sensorial da realidade. Todos os grandes homens são dotados de intuição. Sabem, sem raciocínio nem análise, o que lhes importa saber” (Alexis Carrel).


ESQUEMA DE AULA PRÁTICA

Para a prática de Yoga, escolha um lugar apropriado, um lugar que ofereça condições. Deve ser bem arejado, com boa ventilação, sem muita claridade.
Para os exercícios , use roupas leves. Para a prática, uma esteira colocada acima de um cobertor é o suficiente.
A prática, enquanto possível, deve ser pela manhã, é a melhor hora, a mente está em melhores condições. Evite alimentos líquidos uma hora antes, alimentos sólidos: duas horas.
A prática deve ser quotidiana, se possível, faça pela manhã e à noite.

O Movimento do Balanço (serve como abertura à prática)

Deite-se e permaneça na savâsana (posição do cadáver). Em seguida, jogue as pernas para trás. Volte, procurando tomar os pés com as mãos. Os joelhos devem ficar estirados.
Faça os movimentos de maneira consciente, dirigidos pela atenção e vontade.
Quantidade: de 6 a 8 movimentos. Finalidade: dar maior flexibilidade à coluna dorsal.

1. Savâsana (postura do cadáver ou do relaxamento)

Separe os pés, volte as mãos levemente para cima.
Faça a respiração nasal (não pela boca), respiração completa (profunda e total).
Volte a atenção para o plexo-solar (região à boca do estômago) e procure acompanhar os movimentos da respiração. O plexo-solar é um ponto objetivo de concentração mental.

2. Sarvangâsana (postura de vela)

  Junte os pés, volte a mão contra a esteira, em seguida vá erguendo lentamente as pernas. Progressivamente erga o tronco, estire as pernas. Os movimentos devem ser lentos e contínuos, ao tirar o tronco da esteira, coloque as mãos na espádua.
Coloque-se o quanto possível em linha vertical, solte e relaxe os músculos para que o sangue flua até a cabeça. Permaneça imóvel na posição, os pés não ultrapassam o nível dos olhos.
Volta: operação inversa, ao voltar, as pernas não devem cair para trás. Faça movimentos lentos, dirigidos pela ação-vontade.
Efeitos: rejuvenesce o organismo, vitaliza-o. Estimula as glândulas endócrinas, tiróide e sexuais. De grande benefício para o sexo feminino.

3. Ardha-Matsyâsana (meia postura do peixe)


Escorregue a cabeça para frente, de tal forma que a parte superior fique totalmente depositada no chão. Projete o peito para cima, suavemente. Estire bem o pescoço, os pés ficam estirados e também as mãos.
Volta: volte a cabeça normalmente.
Efeitos: Beneficia as glândulas tiróide e paratiróide. Massageia a região do pescoço e tórax. Ótima para nervos cervicais e coluna vertebral.

4. Vajrâsana (postura do diamante ou diamantina)

Coloque-se lentamente de joelhos. Em seguida sente-se sobre os calcanhares. Os dedos dos pés devem estar voltados para dentro. Mantenha a coluna ereta. Deposite as mãos, suavemente, sobre as coxas.
Efeitos: fortalece os músculos e os nervos da perna, favorece calma, harmonia, integração.

5. Supta-Vajrâsana (postura do esticamento)

 

Sente-se sobre os calcanhares. Em seguida, com o apoio dos cotovelos, evolua para trás, deitando-se na esteira. Volta: com a ajuda dos cotovelos, faça a operação inversa.
Efeitos: estimula os vasos capilares das pernas e a circulação sangüínea. Beneficia os músculos e os nervos. É tonificante do sistema nervoso. Ótima p\ o estado de depressão nervosa.

6. Paschimotanâsana (postura da pinça ou de extensão posterior)



Estire as pernas, expire lentamente todo o ar dos pulmões, inspire, levando os braços para cima e para o alto. Procure sugar o abdômen para dentro, vá flexionando o tronco para baixo, procurando depositar a cabeça nos joelhos. As mãos procuram tomar os calcanhares, as pernas devem ficar fixas no chão, os joelhos estirados.
Volta: permaneça alguns instantes e depois volte inspirando, levando os braços para cima e para o alto. Desfaça a postura, expirando.
Efeitos: ativa a circulação sangüínea, restaura as forças, beneficia os intestinos, os nervos da coluna vertebral são tonificados, diminui a gordura, ótima para fígado, rins e prisão de ventre.

7. Savâsana Vertical

Permaneça alguns momentos na savâsana dorsal. Faça um leve giro sobre o corpo e coloque-se na savâsana ventral.

8. Bhujangâsana (postura da cobra)


Coloque a testa na esteira. Una os pés. Leve as mãos à altura das axilas. Os cotovelos acompanham o corpo. Levante, lentamente, a cabeça, em seguida, o tronco. Na fase inicial, o apoio se faz nos músculos costais. Na fase final, nas mãos. Erga lentamente toda a parte superior do tronco, procurando olhar para o teto.
Volta: processo inverso.
Efeitos: corrige os desvios da coluna. Estimula as glândulas tiróide e supra-renais.


9. Shalabhâsana (postura da lagosta, gafanhoto)

  Deposite a testa na esteira. Coloque o queixo na esteira. O queixo e as mãos servem de alavanca. Levante as duas pernas (estirando-as) vigorosamente.
Volta: volte lentamente as pernas. Efeitos: Neneficia a região pélvica e o abdômen. Ótima para os intestinos e para as vísceras. Estimula os nervos da coluna vertebral.

10. Dhanurâsana (postura do arco)

Deposite a testa na esteira. Movimente as pernas no sentido do corpo, dobrando-as. Em seguida segure-as firmemente. Erga a cabeça, o tronco e as coxas. Estabeleça um “arco físico”. Ao levantar a cabeça, procure olhar para o teto. Enquanto possível, conserve os joelhos unidos.
Volta: volte, concomitantemente, as pernas e o tronco. Efeitos: beneficia a coluna vertebral, elimina a gordura abdominal. Aconselha-se para mulheres nas irregularidades menstruais.
Permaneça alguns momentos na postura da savâsana ventral. Faça um lento giro sobre o corpo e coloque-se na savâsana dorsal. Permaneça alguns momentos na savâsana dorsal e depois coloque-se na postura Vajrâsana (postura do diamante).

11. Ustrâsana (postura do camelo)

  Estabeleça as mãos à frente dos dedos dos pés. Em seguida, projete a região sexual para frente. Deixe que a cabeça caia levemente para trás.
Volta: deve ser muito lenta, para evitar tontura.
Efeitos: ótima para as glândulas sexuais, beneficia a coluna vertebral.


12. Yoga-Mudra (Símbolo da Yoga)

Coloque-se de joelhos, leve lentamente a cabeça para baixo, a frente dos joelhos, depositando-a na esteira. Os braços ficam ao longo do corpo, soltos na esteira para trás. Mentalize o centro da testa, região entre as sobrancelhas, onde se situa Ajna-chakra.
Volta: processo inverso. Efeitos: beneficia os músculos do abdômen e também os intestinos e vísceras. Produz o repouso mental e tranqüilidade.
Coloque-se novamente na postura Vajrâsana (postura do diamante) e depois volte para a postura da savâsana. Ao terminar a prática movimente os pés e as mãos. Espreguice.


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do livro:
YOGA – Uma Pedagogia do Ser
Júlio Maran, 1978, Edições Loyola, São Paulo, SP
Síntese por Bruno Carrasco, setembro – 2001.

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