Movimentos Culturais da Juventude, Brandão

A cultura é fruto das relações entre os homens nos meios em que vivem, sendo este produtor e produto de sua cultura. Compreende os bens materiais e imateriais, sendo produtos, crenças e valores que orientam a vida em sociedade.

O produto cultural manifesta o conhecimento e a visão de mundo do homem, apresentando formas e características diferentes no espaço e no tempo. Não há culturas superiores ou inferiores, elas são diferentes entre si, representando diferentes formas de ser, agir e sentir no mundo.

A cultura "erudita" está ligada a formação da burguesia na Europa, nos séculos XIV e XV. Na Itália com o Renascimento, sendo uma arte que busca resgatar a estética e os valores greco-romanos, feitas pela e para a burguesia. Já a cultura popular é produzida e consumida pela população, usando-se do senso-comum.

Nos fins do século XIX, a industrialização deu início à "indústria cultural", juntamente com o desenvolvimento dos meios de transmissão (rádio, tv, jornal, cinema, etc.), o que deu origem à "cultura de massa", que não está ligada a nenhum grupo social específico, mas para todos os consumidores em potencial, a "sociedade do consumo". Essa cultura lança o produto em grande quantidade, depois induz as pessoas a consumirem este, apelando para razões que distanciam de seu valor artístico.

Depois da 2ª Guerra Mundial (1939-45), os EUA se tornaram a maior potência do mundo capitalista. O ano de 1947 é o marco inicial da Guerra Fria, entre os EUA e a URSS, confronto econômico, ideológico, político e militar entre as superpotências. Em 1950, correntes políticas conservadoras fomentaram um fenômeno chamado "Marcotismo", com a função de investigar a atuação de indivíduos suspeitos de atividades comunistas. O cinema, a televisão e o rádio foram investigados de ponta a ponta; os cientistas, intelectuais ou acadêmicos eram vistos como comunistas em potencial.

Para que a economia interna dos EUA não deixasse de crescer, o governo elaborou e difundiu uma cultura de consumo para uma classe média branca. O consumismo era o melhor antídoto contra o comunismo, servindo de propaganda e mostrando ao mundo toda abundância e superioridade material do povo norte-americano. Toda a economia e o avanço científico dos anos de guerra se voltavam agora para o lar.

O "AMERICAN WAY OF LIFE" (estilo de vida consumista do norte-americano) se tornou um dos principais elementos influenciadores da cultura mundial pós-guerra. Nessa sociedade de abundância natural, os norte-americanos se afastaram das questões públicas para se ocuparem de assuntos mais pessoais: família, lar, filhos, eletrodomésticos, etc. Nesse jogo político, a televisão passou a ter um importante papel, transmitindo para milhões de lares, perdendo a força do rádio, se tornando senhor absoluto nas décadas de 1930 e 1940.

A cultura consumista norte-americana prosperou num mercado em rápido crescimento. Com os soltados de volta a casa, a população aumentou em 33% entre as décadas de 1940 e 1960. A partir de 1950 a sociedade possibilitou o surgimento de uma cultura jovem, fazendo com que grande parte da indústria cultural fosse dirigida à juventude norte-americana, com uma vasta quantidade de produtos e a música Rock.

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Referência:
BRANDÃO, Antonio Carlos; DUARTE, Milton Fernandes. Movimentos culturais da juventude. São Paulo: Moderna, 1990. Coleção polêmica.

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